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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Lições da Pipoca

Hoje à tarde minha filha fez pipoca do jeito antigo: na panela, com sal e óleo. O cheiro espalhou-se pela casa e me capturou o pensamento filosofando sobre as lições que o milho da pipoca tem para nos ensinar a respeito de nossas relações com a vida . São as que compartilho com você agora.
O milho é sempre igual. Dentro do saquinho estão milhos que vêm do mesmo milharal, talvez do mesmo pé de milho, o que implica que todos têm a mesma natureza. É de se estranhar, então, que nem todos virem pipoca, pois foram plantados e colhidos com esse propósito. Da mesma forma, nós somos seres humanos, raça humana, feita originalmente para um propósito nobre: glorificar a Deus em tudo, conforme nos ensina a Bíblia, mas nem todos aceitam o potencial maravilhoso para o qual Deus os colocou no mundo. Isto é: nem todos "viram" pipoca.
O evento da transformação do milho em pipoca envolve o fogo, o calor. Isso nos fala das adversidades que vêm como fogo para nos queimar, e nos ensinam que elas têm um potencial transformador, gerador de novas vidas e novas experiências. Isso é encantador e me desperta o pensamento. Como o milho, nossa natureza é igual e nosso propósito é a transformação, mas nem todos se transformam, nem todos desabrocham. Quando as coisas apertam, quando o fogo está queimando, quando a provação avança, quando as dificuldades, doenças e atropelos da vida se tornam quase insuportáveis, todos "pulam que nem pipoca", mas nem todos se transformam nela. E os que não se rendem tornam-se os incômodos "piruás". Eles representam aquelas pessoas rígidas, convencionais, tradicionais, radicais na sua mesmice, que nunca mudam, nunca aprendem, nunca evoluem. Então, eu aprendo que o fogo queima em todas as panelas do mundo, não importa se você é rico ou pobre, preto ou branco, gordo ou magro. O fogo chega para todos, mas não tem o mesmo efeito sobre todos.
Você já parou pra analisar que o efeito da transformação desabrocha o milho ? Sim, é como se ele pusesse pra fora quem ele era antes, por dentro de sua casca dura. Aí, eu penso nas pessoas que não "viram" pipoca e imagino que isso se dá, ou porque não têm nada "macio e branco" por dentro pra mostrar, ou porque travam bem na hora da virada. E isso é desastroso porque a hora da virada passa e não tem volta, o que as torna ainda mais rígidas e resistentes pra sempre. Depois de ser piruá, não dá pra voltar a ser milho, muito menos ser pipoca. Devemos sempre lembrar que a transformação de milho em pipoca só acontece uma vez na vida de cada milho. Nem adianta pôr o piruá na panela de novo que ele só vai ficar pior. Nunca mais vai virar pipoca. E isso também acontece com as pessoas. Quem experimenta, se transforma, mas quem resiste, nunca mais se transforma. Vai de mal a pior.