FRANCINE
Em 1933, em Paris, nasceu uma menina numa família judia amorosa. Chamava-se Francine. Nada, absolutamente nada, indicava que a História viria devorar a sua infância. Sete anos depois, o mundo que ela conhecia deixou de existir. Em 1940, o pai, Robert, foi capturado pelos alemães e enviado para um campo de prisioneiros de guerra na Áustria. Entre arames farpados e torres de vigilância, conseguiu mandar uma mensagem para casa. Não era longa. Não era emotiva. Era um aviso. Corram. Saiam imediatamente. Não esperem. A mãe de Francine, Marcelle, entendeu. No verão de 1942, pegou a filha de nove anos pela mão e fugiu em direção à fronteira, apostando tudo na velocidade. Não foi suficiente. Foram presas. Por Robert ser prisioneiro de guerra francês, mãe e filha não foram deportadas de imediato. Em vez disso, receberam um rótulo que parecia menos cruel, mas não era: “reféns”. Durante dois anos, foram empurradas de campo em campo pelos corredores frios da França ocupada: Poitiers. Drancy. Pithiv...